Bom, existem também criticas de arte de caráter político... Não se assustem, mas eu sou até certo ponto esquerdista... É um pouco da alma do artista, talvez A parte da alma do artista, que eu tenho. Digo isso porque, como vemos na história da arte e na história em geral, no sistema material proposto por Marx, temos a dialética de movimentos. Podemos dizer que a História da arte é uma história que segue quase paralelamente, se não completamente paralela, a história política, porque tudo que acontece com a humanidade é parte da história, mas também faz parte da arte das pessoas da época.
Por isso creio que podemos sim dizer que em cada período temos dois ou mais movimentos, que podemos chamar de movimento regente, que está regendo o período como movimento intelectual principal, e o revolucionário, que é sempre contra o movimento regente do período. Para Roma, o movimento regente, os bárbaros, revolucionários; para a igreja católica barroca, regente, temos os protestantes, revolucionários; para o regime francês, regente, temos a revolução francesa, revolucionária; etc.
Bom, isso na história, mas, como eu disse, a história da Arte segue imediatamente as pessoas da época. Por exemplo: A igreja católica tinha um certo tipo de arte, a arte Gótica. Com o advento do protestantismo surge duas vertentes de arte, a arte barroca ligada aos católicos, regentes, que pintavam basicamente pinturas tristes (por causa da depressão que esses paises passavam por causa do catolicismo) para a igreja; e a arte barroca ligada à igreja protestante, arte que já começava a visar um certo mercado consumidor de comerciantes e governos, só neste momento que começa a surgir a pintura acadêmica. Eu não quero perder muito tempo de leitura sua simplesmente na ampliação do seu conhecimento de história da arte neste texto, isso foi só pra provar que a arte é dividida, basicamente, em dois movimentos (que, não se enganem, podem ter várias vertentes...): O movimento a favor do modelo atual de produção artística e ideal e o movimento revolucionário, que, em alguns casos, só tentam quebrar o movimento regente de uma única maneira, ou de mais de uma, como no caso do modernismo onde tínhamos diversas vanguardas.
Atualmente, vamos analisar, os artistas regentes são os artistas movidos pelo capitalismo. Venda e produção em massa, claro que isso já foi muito mais forte com a Pop Art, mas eu só vejo músicos hoje não pela musica, mas pelo dinheiro dos patrocínios, vejo os artistas fazendo trabalhos virtuais onde a sua criatividade é totalmente limitada. Não vejo muito problema em um mercado, mas existem coisas que precisamos esclarecer, não é só que você espirrou em um quadro e envernizou que você é um artista! Eu sei que isso é uma coisa completamente diferente, mas o que me incomoda é que os verdadeiros artistas não respeitam a lógica do mercado da mesma maneira que os capitalistas disfarçados de artistas, por isso pessoas que não tem formação nenhuma como artistas assumem esse papel de artista capitalista. Alguns, uns 10%, tem talento e conseguem prosperar, mas vemos, infelizmente que eles não procuram entender o que fazem da mesma forma que os verdadeiros artistas.
Bom, então eu chego a uma conclusão. A verdade é que o movimento que predomina hoje é o movimento capitalista de produção de arte para a venda, arte totalmente reproduzível e inteligível para as massas. Não temos , feitos por esse movimento, filmes com idéias extraordinárias, musicas inovadoras e com escalas lindas, quadros equilibrados e feitos com inspiração. Enquanto isso os verdadeiros artistas, que se encontram isolados por estilos e nacionalidades, perdem espaço para esse grupo de incultos que só sabem o mais simples do mais simples: O seu contexto presente... Que também é uma característica dessa nova modalidade de artistas. Todos são jovens, bonitos, fazem muito dinheiro e vivem como se fosse o último dia.
Bom... Então eu me pergunto: onde eu posso encontrar esses artistas clássicos, no sentido de intelectuais e cultos, no meu meio? Onde encontro um movimento preocupado em formar artistas que sabem o que foi o Renascimento? Onde encontro músicos que sabem ler partitura e sabem escalas para improvisação? Onde encontro arquitetos que sabem o que é a idéia de iluminação superior, presente no gótico? Porque não existe uma unidade entre essas pessoas? Não somos um movimento de um só, temos que saber que não lutamos por uma causa particular porque a retomada de valores e objetivos como o conhecimento de nossa história da arte é um dever de toda pessoa, todo artista, todo cidadão verdadeiramente preocupado com uma cultura que não se preocupa só com a quantidade de carros o indivíduo possui.
Bom, isso me lembra uma situação descrita pela minha professora de português onde Oswald de Andrade encontrou com um poeta que fazia versos livres e brancos muito bem, pra quem não sabe versos livres são versos sem metrificação regular (não vou explicar isso...) e versos brancos são versos sem rima (os dois são propostas do modernismo – ler o manifesto da Poesia Pau-Brasil – que vinha quebrando com o realismo e naturalismo – no caso da poesia o parnasianismo) mas esse poeta não sabia fazer o que o parnasianismo propunha, versos decassílabos e com rima, típicos do parnasianismo. Quando respondeu a Oswald que não sabia fazer os mesmos ele recebeu uma repreensão: “Você precisa saber fazer versos metrificados e rimados, porque os versos brancos e livres são muito mais difíceis...”.
E então vê-se. O Brasil regrediu tanto assim? Hoje em dia saber o que se passou não é mais valorizado… História virou uma matéria dispensável, mas o que verdadeiramente faz você ser um homem hoje é conhecer o passado. Porque a arte de hoje é baseada em citações e referências, sem elas você é um artista morto. Então, Governo, invista em educação artística de um modo completo, isso é, pelo menos invista em educação artística. E nós, artistas, devemos fazer as nossas partes encorajando instituições de ensino da arte e participando do mercado com a nossa capacidade de dialogar com o passado, sem se esquecer que vocês não estão sós, não há nenhum artista verdadeiro que discorde:
