Porque "Critica Assinada"?

"Crítica – a palavra crítica (do grego crinein) significa separar, julgar. A crítica é uma avaliação que julga o mérito estético de uma obra de arte, a lógica de um raciocínio, a moralidade de uma conduta etc.

Normalmente, mesmo que seja muito respeitado, o crítico não pode apresentar uma avaliação puramente subjetiva, mas deve embasar sua opinião com determinados aspectos objetivos. Isso é importante, porque alguns críticos de renome podem levantar ou arruinar carreiras artísticas com suas avaliações, e devem usar esse tipo de poder com critério e seriedade."

Mas não faz sentido criticar no anonimato. Sejamos francos, a Assinatura é o único elemento que da a um texto credibilidade e validade. Portanto o único modo real de expressar sua opinião de uma maneira válida não é do jeito que todos podem fazer, mas do jeito que poucos podem, colocando o seu nome em jogo.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Para entender melhor a música.

Lendo uma idéia que encontrei por ai vagando em um website (Ouvido Absoluto) eu encontrei algo interessante, que eu já planejava falar aqui nesse post, mas até então eu ia falar como experiência própria. O que eu li foi: “quando se ouve uma música, o ouvido envia o som não apenas para regiões especializadas do cérebro, mas também para o cerebelo, que se ‘sincroniza’ com o ritmo da música, tornando possível acompanhar a melodia. Levitin diz que parte do prazer da música é o resultado de uma espécie de jogo de adivinhações: o cerebelo tenta prever a próxima batida. Se acerta, ótimo. Melhor ainda se é surpreendido por uma mudança no ritmo, pois o cerebelo parece ter prazer no processo de sincronização.” (Fonte: Rosana Zakabi - Revista Veja, edição 1990, de 10/01/07)

O que faz você gostar de uma musica ou não, portanto, é o prazer que você tem com ela. De acordo com esse mesmo site a musica ativa regiões do cérebro que também são acionadas por um bom jantar ou até uma noite de sexo. Não sei quanto a ultima, mas com certeza, uma boa refeição é tão agradável como música.

É visto que até certo ponto esse autor está certo, todos nós tentamos sempre achar um ritmo interno, o que nos identifica com uma musica. Por isso que temos a tendência de ficar com uma musica chata na cabeça, porque ela tem algo marcante em seu ritmo ou até porque o seu cérebro se acostumou com esse ritmo para alguma tarefa e então ele se lembra dessa musica, armazenada em um compartimento recente do cérebro, para manter aquela função dentro do compasso.

Mas não vejo só esse motivo para nós gostarmos de música. As pessoas amam musica porque vêem nela algo com que se identificam, e então entramos na questão social da música. A música pode ter um ritmo bom para caminhar, mas se não tem letra ou se é repetitiva demais, ou se tem um som muito alto, ou se é de um estilo que te desagrada, ou se foi feita por um cantor que você não gosta, ou até se a letra não for do seu interesse pessoal você não vai apreciar a música. Algumas dessas características podem ser explicadas fisicamente, o som alto maltrata o tímpano, por exemplo, mas não podemos levar só na biologia, porque algumas pessoas, socialmente falando, gostam de sofrer não se importando com a altura do som só porque ama aquela música ou aquele artista.

A final de contas, você pode gostar da música por diversos motivos, mas o que une todos eles é o fato de que todas foram feitas por um(a) ou mais artistas por um mesmo motivo: Fazer algo prazeroso para alguém, seja esse alguém ele mesmo, Deus, seus amigos, sua namorada e até fãs.

Portanto chegamos ao meu ponto crucial do texto: Para fazer música não adianta ter bom ritmo e ter uma péssima letra ou um bom arranjo sem uma voz decente... Fazer músicas não é um trabalho fácil! É trabalho de artista, porque é sempre necessário revisitar sua obra no intuito de aperfeiçoá-la, é necessário também uma grande vontade de deixá-la perfeita, assim como é bom ter mente aberta para uma nova mudança, saber mudar sempre para não tornar a coletânea repetitiva e saber usar todo o seu conhecimento sem exagerar.

É, pouca gente hoje sabe fazer música de verdade. Por isso vou deixar uma dica, se pergunte as seguintes questões quando você estiver a pondo de fazer uma música: o que a minha musica vai ser? (Respostas plausíveis: vai ser uma musica para: dialogar com outra musica; abordar um tema conhecido de uma forma original; abordar um novo tema nunca tratado; ser uma paródia ou até expressar uma sensação com uma opinião – Todas as outras respostas devem ser cuidadosamente filtradas, porque se você disser “vou fazer essa música para ganhar dinheiro!” Você pode até ganhar dinheiro, mas você não está fazendo arte) Para quem é essa música? (Se você não for mostrar essa música para alguém ela não é uma obra de arte musical, ela é só uma musica que pode ser esquecida facilmente, o que não é o seu objetivo, certo?).

Bom, mas é importante também lembrar que forma é conteúdo e conteúdo é forma. Se você vai fazer uma musica que fala sobre amor, por favor não faça um rock pesado e depressivo sobre ela, a não ser que seja uma paródia, uma das poucas e raras exceções. Também tem a questão do arranjo. Já me disseram, quanto menos, mais. Ou seja, você não precisa de cinco instrumentos tocando a mesma nota para entender essa nota. Por favor, não agrida os tímpanos dos seus ouvintes e redistribua os instrumentos usados na sua música de forma inovadora e que represente o seu estilo. Mais uma coisa, importante. Você não está preso a um estilo único ou a um arranjo típico, para todas as músicas. É importante saber usar arranjos diferentes para temas e públicos diferentes, novamente forma é conteúdo e conteúdo é forma.

Só para terminar eu digo que sou eclético, sim, mas tenho meus filtros. Não ouço axés, musicas românticas feitas por bandas de adolescentes, não ouço funk, não ouço samba (com exceção aos sambas de antigamente e bandas como Numismata que trazem uma mensagem com objetivo, desde retratar a sua vida cotidiana até fazer uma crítica política), ou seja, vocês podem perceber que o meu critério de seleção para músicas é muito abrangente, tanto é que eu não ouço as musicas da moda, só fiquei sabendo quem era a Lady Gaga quando assisti MTV (que eu quase nunca assisto). Não se surpreendam então com o meu jeito de tratar a musica, porque eu tento ser um artista e ser detalhista com os meus desenhos e musicas... Essa é a mensagem que eu quero passar.